A vida da revolucionária Olga Benario Prestes    GRAZIELA SALOMÃO 3.350 z.

Olga Benario Prestes é um exemplo de coragem, determinação e convicções políticas. Defendeu seus ideais e mostrou força em um momento histórico fragilizado pelas duas Grandes Guerras Mundiais e pelo nazismo de Hitler.

Nascida em uma família judia alemã, em 12 de fevereiro de 1908, Olga era filha de uma dama da alta sociedade de Munique e de um advogado social democrata. Foi vendo o exemplo do pai, que se dedicava às causas trabalhistas dos operários atingidos pela crise que se instalou no país, que Olga tomou contato com idéias liberais avançadas. A alemã se lembraria, mais tarde, de que foi no escritório do pai o primeiro contato com os problemas sociais, ao folhear os processos trabalhistas de Leo Benario.

Aos 15 anos, Olga já tinha uma sólida base cultural formada pelos grandes escritores e pensadores alemães. Ao mesmo tempo, aproximou-se da Juventude Comunista, organização política na qual passou a militar ativamente e fato que não agradou sua mãe.

Suas atividades na organização a aproximaram do jovem dirigente Otto Braun, com quem foi morar aos 16 anos. Por ele, em 1928, Olga realizou uma cena de cinema: junto com outros integrantes da Juventude Comunista, invadiu a prisão de Moahit para libertá-lo. Os dois fugiram, em seguida, para Moscou onde Olga foi aclamada, fez treinamento militar e carreira no Comintern. A dedicação e a certeza de que sua missão era lutar por uma sociedade mais justa e igualitária a separaram, gradativamente, de Otto.

Ao lado do "Cavaleiro da Esperança"

Em 1934, Olga é designada a acompanhar a viagem de Luiz Carlos Prestes, o brasileiro que liderou a famosa Coluna Prestes, e garantir a segurança dele. No Brasil, Prestes seria o líder de uma revolução que tentaria implementar o comunismo no país.

Olga teve que se passar por esposa de Prestes para atravessar o mundo com o líder brasileiro. Eles se utilizaram de passaportes falsos, adotando o nome de um casal português (Maria Bergner Vilar e Antonio Vilar). Durante a viagem, o que era apenas encenação tornou-se realidade. Os dois revolucionários se apaixonaram.

Ao chegarem ao Brasil, instalaram-se no Rio de Janeiro para organizarem os preparativos da revolução. Mas, após o fracasso da Intentona Comunista de 1935 nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro, eles foram presos e separados.

Olga declarou, logo depois, aos jornalistas brasileiros que estava esperando um filho de Prestes. Segundo ela, o governo de Getúlio Vargas cometeria "uma injustiça contra uma mulher grávida". Mas Vargas, como vingança pessoal a Prestes e na tentativa de uma aproximação do regime nazista de Hitler, que admirava, decidiu deportar Olga a Alemanha.

Das prisões à câmara de gás

O navio cargueiro "La Coruña", que levava Olga grávida de sete meses a bordo, saiu na calada da noite rumo a Hamburgo. Ordens expressas proibiram a embarcação de parar em qualquer outro porto estrangeiro, uma vez que existiam avisos de que os portuários franceses e espanhóis resgatavam deportados para a Alemanha.

Olga ficou incomunicável em uma prisão de mulheres chamada Barnimstrasse. Em 27 de novembro de 1936, um ano após o fracasso da revolução, nasceu Anita Leocádia. Como resultado de uma forte campanha realizada por Dona Leocádia, mãe de Prestes, na Europa, pedindo a libertação de seu filho, nora e neta, Anita permaneceu ao lado da mãe durante 14 meses, para que pudesse ser amamentada. Logo após, foi entregue aos cuidados da avó. Mas isso Olga só foi saber tempos depois.

Em 1938, Olga foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg. No ano seguinte, foi mandada para Ravensbrück, o primeiro campo exclusivo para mulheres. Em Ravensbrück, Olga ainda demonstrou sua habilidade nata em comandar: tornou-se líder do bloco onde dormia e deu aulas a outras presas.

Em fevereiro de 1942, Olga foi executada junto com outras 200 prisioneiras na câmara de gás de Bernburg. A notícia de sua morte veio através de um bilhete escondido na barra da saia de uma presa.

época, 16/08/04